terça-feira, 13 de julho de 2010

As três experiências

    Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever e nasci para criar "meus filhos". O amar os outros é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
    E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que seguir. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.
    Quanto "aos meus filhos", o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possivel dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Tenho uma descência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
    Sempre me restará amar. Escrever é uma coisa extremamente forte, mas que pode me atrair e me abandonar. Posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nehuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.

                                                                                             Clarice Lispector.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Apenas

    As coisas sempre acontecem quando menos esperamos. Quando menos esperamos nos deparamos com situações que nos embaraçam ou que nos alegra. A vida como diz um velho e esdrúxulo ditado "a vida é uma caixinha de surpresa". E coloca surpresa nisto. Quero poder a partir de hoje, do zero, reconstruir a vida, e mostrar o quanto ela é maravilhosa, e o quanto pode ser maravilhosa ao seu lado, o quanto posso te dar alegrias, o quanto superarei as suas expectativas e o quanto seremos felizes: Eu e Você.
    Fico feliz por cada coisa que me diz. Com as novas opiniões ao meu respeito e com a chance que me dá, não a desperdiçarei. Andaremos de bicicleta, com os cabelos revoltos ao vento. Ouviremos nossas músicas favoritas, curtiremos todas as coisas boas e maravilhosas que a vida nos proporcionar. Não desperdiçarei nem um segundo dos anos, meses, semanas e dias que me restam para viver.
    Como se tivesse nascido, apenas quero viver!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mas uma vez...

    Mas uma vez estamos nós aqui batendo na mesma tecla, discutindo as mesmas questões, encenando o mesmo drama. Não aguento mais isso. Já estou sem ânimo, sem disposição para tantas coisas que parecem ser inutéis. Não chegamos a lugar algum, e fico triste com o que nos acontece.
    Mas uma vez acabamos mal, muito mal. Cada um vai para o seu canto, profundamente, a amargura toma conta de nós. Sei que na verdade não queremos ser assim, e estar assim nós deixa muito mal. Sei que poderia ser diferente, fazer diferente. Não quero ser o centro das atenções, mas queria só um pouquinho de atenção com o que sinto e com o que sou.
    Queria que você me entendesse só uma vez, uma única vez.... tento ser clara, mas a clareza não é meu forte. Queria ser forte, mas a fraqueza me abala. Queria poder ser diferente do que sou, mas não poderei ser outra coisa que não isto, apenas isto. Não sou o que você pensa, ou o que os outros pensam. Sou alguém que ninguém conhece realmente, e às vezes, até eu mesma me surpreendo com o que posso ser. E cada vez mais, tenho certeza de que ninguém tem noção da realidade.
    Queria que você, com clareza, me explicasse todas as coisas que não entendo, e deixasse, claramente, tudo explicado para não haver desentendimento. Não sou tão esperta assim como imaginam, fazem uma imagem do que não sou. Sou apenas humana cheia de defeitos, com muitos erros, e um enorme coração para doar . Tenho direito de errar, assim como acertar, e gostaria que meus erros não fossem julgados, e que eles fossem aceitos assim como meus acertos.
    Desistir de querer entender, parece-me indecifrável, inconstante. Tudo vai tão bem, mas de repente tudo fica muito mal, vira do avesso, e meu coração cada vez mais enlastece e bate cada vez mais forte. Não sei se ele resisti por muito tempo a essa montanha russa.
    Queria apenas ser sua amiga, nem de mais nem de menos, na medida exata da amizade. Queria ter segurança e poder acreditar que o amanhã será igual a hoje, e que amanhã continuaremos na mesma sintonia. Não sei o que queremos provar. Só sei que eu não quero provar nada, apenas quero dizer que sou de verdade, que o que digo é verdade e que meus sentimentos são reais.
    Queria apenas que compreendesse como eu sou e não tentasse criar um outro alguém. Não se surpreenda com minhas atitudes, ninguém é perfeito. Não seremos nós "certos" o tempo todo, a balança tem que ser equilibrada. As pessoas são assim. Se não, não seria necessário existir. Pra quê? Se somos montanha russa, se nosso ânimo sobe e desce, às vezes sem explicação.
    O que me faz ser assim? Uma certeza horrível de não ser acreditada na razão. É ser a todo momento julgada pelo que não sou, pelo que não fiz e pelo que não disse. E essa sensação me deixa hipotente, é a minha certeza versus a sua racionalidade. E por mais que diga que tudo ficou no passado, vejo nos seus olhos que não é bem assim. Mas eu gostaria que fosse assim, que fosse diferente.
    "Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente", o que podemos fazer?Hoje estou mais tranquila. Aconteça o que acontecer eu estou aqui, sempre estarei!!!!!!!! .

sábado, 19 de junho de 2010

El amor fuera del aire

    "Lo que haremos esa pasión? Distracción da la soledade?" Dejar que el amor suceda, o dejar que la vida pasar frente mi puerta? Ver la luna cada día, a ver el amor me vuelve loco? No sé qué hacer con lo que siento por dentro. Mi corazón late desesperadamente ese amor que mi hace todo.  !Oh, no sé qué hacer, pero puedo jugar duro que siento, y espero un tiempo de resposta? Voy a dejar que el amor fuera del aire!

domingo, 13 de junho de 2010

"Luísa sou eu"

"    Pois embora hoje eu te tenha perto, eu acho graça do meu pensamento a conduzir o nosso amor indiscreto. E se acontecer de desorganizar de vez a vida, a calma? devoro mais um morango e me lambuzo de tédio. Sejamos discretos, pedi. Mas como ocultar o que é transparente? Eu proponho nós nos amarmos, nos entregarmos. No fundo a gente acaba orientando nossas escolhas com certa sabedoria.
    O que será que será, o que não tem decência nem nunca terá, o que não tem censura nem nunca terá, o que não faz sentido. Você precisa aprender o que eu sei, e o que não sei mais. Por que é que ele não foi para a Legião Estrangeira depois do primeiro encontro? Teria sido perfeito: um homem que me dava o maravilhoso e ia embora, sem tempo para me magoar. Fico mansa, amanso a dor. 
    Tente passar pelo que estou passando, tente me amar como estou te amando. Todos os dias tenho que vê-lo. Todos os dias me entrego à sua maldição. Queria que você dissesse: foi penoso meu fim de semana. Olho o relógio iluminado, anúncios luminosos, luzes da cidade. Estrelas no céu, e me queimo num fogo louco de paixão. Ontem, por alguns instantes consegui esquecê-lo. Parei de escrever no dia em que percebi que seria no máximo um poeta mínimo.
    Mais uma vez minha alegria, meus humores estão nas mãos de alguém. Não, não vou outorgar a ele esse poder. Ah, que esse cara tem me consumido. A mim e a tudo o que eu quis.Estou repetindo a mesma história de angústia vivida antes, civilizadamente. Que vergonha da minha ansiedade e da minha carência. Meu olhar vara, vasculha a madrugada. Baby te amo, só sei que te amo.
    A cada fim de semana reinvento a cena de reencontro dizendo a mim mesma: nesta segunda vai ser diferente. Mas nunca é, ele nunca diz as frases que imaginei. Berro por seu berro. Pelo seu erro. Quero que você me ganhe. Que você me apanhe. Se não posso estar com você, mantenho-o no meu pensamento o tempo todo. Pelo amor de Deus, diga qualquer coisa bonita!
    No amor a tortura está por um triz. Eu fico com essa dor, ou essa dor tem que morrer. Que vontade de te ligar, surpreendê-lo nesta noite de domingo, marcar um encontro, fazer uma loucura. Chega de tentar dissimular, e disfarçar, e esconder, o que não dá mais pra ocultar. Sim, eu vou a muitos lugares, mas a vida sem você é apenas um pedaço de angústia.
    E porque foram tão raros e escassos os delírios, talvez esta ansiedade, esta dor aguda, esta insônia, o suspirar entrecortado, a voz rouca, e ao mesmo tempo fina. E se eu disser que estou apaixonada? que diferença isso vai fazer? Ocultamos excessos, sufocamos a vontade de nos expor sem reticências e o que acabamos exibindo um ao outro é um arremedo de envolvimento, mesmo sabendo quanto isso nos faz mal.
    Como suportar outra vez a dependência, a sujeição, a espera contínua de uma palavra ou de um gesto? A força do beijo, por mais que vadia, não sacia mais. Não quero sair pra lugar nenhum. Some day hell come alone, the man I love. Feliz aniversário. Saudade do tempo em que isso era verdade. Tanto tempo, meu Deus, tanto tempo... Que grande catástrofe esta paixão.
    Louca de amor e de dor, nem a morte me parece uma alternativa. É tão terrível esse sentimento de não pertencer mais a nada,  de não querer nada. Não tenho mais lugar em lugar nenhum. Solto o ódio, mato o amor. E continuamos, continuamos. Já foi o tempo em que eu cantava explode coração. Eu sei esses detalhes vão sumir na longa estrada, no tempo que transforma todo o amor em quase nada. Finalmente, ambos libertos. Noite. Soçobro. Vou me vestir de luto e vou sofrer uma grande, uma enorme tristeza por essa perda, mas um dia, ao acordar vou perceber que você não ocupa mais meus pensamentos. Abundantemente breu, abundantemente fel".


Esse texto é o resultado da junção, feita por mim,  de trechos do último capítulo "Noite e dia"(diário de Luísa), do livro Luísa (Quase uma história de amor), de Maria Adelaide Amaral.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Certeza

    Tento ser o que creio que sou e, quando sou acabo não sendo o que pretendo ser. Eu sou isso, e o que me resta é ser para você. A cada minuto de minha existência tenho uma única certeza, que busco, incessantemente, todos os dias, e que ainda respiro por um único propósito: VOCÊ. 
    Quando tudo me parece perdido, você aparece e me injeta ânimo novo, me faz desistir das loucuras que sempre penso. Com você tudo volta a ter sentido, como no dia em que te conheci ou quando contemplo teu sorriso, que me faz feliz até os nossos breves hasta luego.
    A minha vida tem data e hora marcada para se perder no infinito: quando você encontrar sua verdadeira felicidade. Não uma felicidade passageira como o seu próprio significado, momentâneo. Minha busca só estará completa quando você for feliz eternamente. Só assim eu poderei ser feliz como nunca fui antes de te conhecer, pois no momento só tenho um locus em seu coração.
    Sinto tanta necessidade de chorar, pra gritar através de lágrimas, mas tenho que me conter. Quem sabe amanhã - hoje - ontem... eu não esteja ou não estive na sua frente debulhando-me em lágrimas ou contendo-me para não demonstrar minhas fraquezas e medos?
    Contudo isso já nem importa mais, chorar? A vida está pulsante dentro de mim, graças a você. Só me resta te agradecer, dessa forma que só eu e você possamos entender muchas gracias!



segunda-feira, 31 de maio de 2010

    Estou cansada dessas coisas que enchem a paciência. Estou cansada de ouvir você me dizendo sempre as mesmas coisas, de fazer sempre as mesmas coisas, e achar que tudo é diferente. Estou cansada de suas promessas rotas, suas palavras clichês. Estou cansada de você, de você falando de você, de fazendo você, e dizendo sempre coisas de você.
    Estou cansada de você que fala sobre mim, que diz sobre mim e fica me fazendo como se tivesse direito de me tecer. Estou cansada das mesmas coisas que me levam sempre a você, que me fazem te escutar, que me fazem ter paciência, e calma e lentamente, escutar-te sem mais quê nem pra quê.
   Estou cansada de mim mesma que se cansou de você.

Seria bem mais fácil se eu acordasse

    Tudo poderia ser bem mais fácil se você estivesse aqui comigo agora. Tudo poderia ser bem mais fácil se você dissesse que me ama, e que tudo não passou de um sonho, um pesadelo terrível. Um engano. Tudo isso que vivemos é um engano. Não era para estarmos assim, separados. Só não somos nada do que podemos ser, ou ter sido. Não era para nada disso ser verdade. Não é verdade. Quero acordar desse sonho que me prende nessa escuridão do meu inconsciente, labirinto.
    Perdida estou agora. Debato-me e meus olhos nem se quer piscam. Estou de olhos abertos, o sonho é realidade. Preciso dormir e sonhar que tudo isso é mentira, e que eu estou apenas acordada em meu próprio sonho. Seria bem mais fácil se eu acordasse agora, e tudo não passasse de um terrível engano de mim mesma.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Rascunho do tempo

    Todos os dias fico aqui em frente, sempre pensando o que escrever. Deparo-me com a tela a me espreitar. Mas na verdade eu poderia ficar minha vida toda tentando descrever o que sinto. Nenhuma palavra poderá, jamais, alcançar a amplitude desse sentimento infinito que me toma por inteira. Na verdade sinto uma vontade extrema, é quase uma necessidade física e mental de te colocar em letras garrafais. Em frente aos meus olhos, tento te ter, te tocar e te consumir por inteiro.
    Você foge, e num piscar de olhos reaparece. Reencontro minha paz. Te reencontro, e o desejo inconstante me consome. Fica sempre essa vontade de te tomar num gole só, com os olhos vendados te amar por inteiro, e num último gozo, acordar para a vida que me espera lá fora antes que o tempo seja desperdiçado.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sopro de vida

    Peça por peça a vida vai pregando a sua. Nesse palco brilham estrelas desconhecidas, que diariamente encenam uma tragédia, um drama, uma comédia ou até mesmo uma tragicomédia. Sobem as cortinas e entra em ação um monológo, um solilóquio ou o que queiram encenar numa exaustão inexorável da vida.
    A todo momento o palco gira, a cena muda e os artistas ganham novas características, novos figurinos, novas faces e máscaras. Num sopro a vida se reconstrói, lentamente, tudo volta ao seu lugar no momento exato.