domingo, 17 de junho de 2012

O amor e o efeito da modernidade

    Amar na atualidade é muito complicado. É difícil achar uma pessoa para amar no século XXI, mas não impossível. O que me fez escrever essa postagem? Não foi pela falta de amor ou por decepção amorosa, mas devido a alguns relatos que venho escultando a alguns dias. E por incrível que pareça não foi apenas um ou dois, mas vários relatos.
   Outra coisa que me motivou foi um texto intitulado "Amor líquido - A fluidez dos relacionamentos na atualidade. O que me faz lembrar que é o título de um dos livros de Zigmund Bauman, que trata das relações efêmeras, que como o autor diz é a marca da modernidade. Então quer dizer que ser moderno é não ter amor? Na verdade eu não sei a resposta da minha pergunta, mas é o que parece estar acontecendo com as pessoas, a falta de amor. Em todos os sentidos.
    As pessoas hoje não se relacionam, elas ficam, elas pegam, eles dão uma rapidinha. E depois? Não existe o depois, existe apenas o agora, o logo. Depois como muita gente diz é: "beijo e tchau". Não existe mais respeito com os sentimentos das pessoas, parece uma febre que assola milhões de pessoas. De repente você encontra alguém, vocês se conhecem, começam a namorar. Mas de repente ainda, essa pessoa vira pra você, isso é quando terminam a relação pessoalmente, quando não acontece por telefone, pior ainda é pelas redes sociais, e o facebook é campeão nisso, e diz: não dá mais, você merece pessoa melhor do que eu, e eu não sou essa pessoa, te desejo toda felicidade do mundo". Aí você se pergunta: "como assim?" Se ainda ontem vocês trocavam juras de amor eterno.
    Aí que a gente para pra pensar e fica a se perguntar se a culpa não é nossa. Sim a culpa é nossa com toda certeza. Nos apaixonamos e quando isso acontece, e a outra pessoa percebe que estamos dispostas a tudo, o que acontece? Elas brincam com nossos sentimentos, como se fossem brinquedinhos de estimação. A gente sente ódio, rancor, raiva, mas não pode fazer nada. Apenas nos blindamos para os próximos relacionamentos. Ficamos mais espertas, mais atentas às pessoas que se aproximam da gente.
    Quem hoje escreve cartas de amor? Soa ridículo não é? Tenho certeza que quem leu essa frase pensou: pra que escrever carta de amor, se eu posso mandar um torpedo, um scrapp ou um comentário no facebook? Então caro leitor, eu sou ridícula. Sou do tipo que escrevo, ponho no correio e aguardo ela chegar até a residência da pessoa ou escrevo e entrego nas mãos da pessoa.
    As pessoas já não sabem mais o que é romantismo. Dizer eu te amo é clichê, e as pessoas acham que essa é a única forma de demonstrar amor, dizer eu te amo qualquer um diz, até se eu ensinar ao meu papagaio. Demonstrar amor é ter atitude! Demonstrar amor não é comprar o coração do outro com presentes, você conquista o coração do outro com gestos românticos, que foram perdidos com o tempo, uma rosa roubada da roseira do vizinho que salta ao muro de sua casa, um chocolate em formato de coração com um bilhetinho escrito nele. Um simples eu estarei com você em todos os momentos de sua vida, e não só dizer, mas fazer quando realmente for necessário.    
    Amar é respeitar o tempo, o espaço e o limite das pessoas. Amar é dizer a verdade, mesmo que essa verdade doa ou venha trazer alguns transtornos pro casal, nada que o tempo e o diálogo não venham colocar cada coisa em seu lugar. Às vezes a gente acha que não está pronto para amar alguém. A gente nunca está pronto, principalmente pelo fato de que cada pessoa que encontramos no caminho é única, dessa forma não podemos agir da mesma forma com todas elas. A gente tem que estar sim é disposta(o) a todo momento a querer amar, incondicionalmente. A gente tem que querer o bem às pessoas. 
    Não ame pela metade, não ame quando der, não ame quando você tiver tempo para o outro, ame por inteiro, ame de verdade, pois as pessoas nem sempre estarão dispostas a esperar pela sua boa vontade. As pessoas reclamam que está difícil de se relacionar hoje com alguém por muito tempo, mas o que é que elas fazem pra isso acontecer de fato? Nada. Continuam a fazer as mesmas coisas achando que estão agindo da forma correta, por que o erro nunca é nosso e sim do outro. As verdades são muitas, o que falta é o amor.  Como diz um poeta que amor tem haver com lentidão, e todo tipo de violência tem haver com a velocidade. Quem sabe se essa falta de amor não seja pela velocidade e correria das pessoas e coisas  na atualidade?

A velocidade da vida e as coisas de antigamente

    Com a velocidade da vida, e com o avanço tecnológico, que culminou nessa velocidade, andei observando que as coisas boas e simples de antigamente estão sendo esquecidas e deixadas dentro de um livrinho do era uma vez. A velocidade da vida gera a violência e muitas coisas negativas, já a lentidão promove o cuidado com as coisas e com as pessoas. 
    É uma nostalgia dos bons tempos, em que eu ainda nem entendia de fato o que estava vivendo naquele momento. Mas hoje revivendo minhas vagas lembranças vejo que aquele era o tempo. O avanço tecnológico mudou por completo a vida das pessoas. Isso é bom. Isso é ruim. Isso fez com que as pessoas evoluíssem de certa forma. Mas ao mesmo tempo fez com que as pessoas regredissem. 
    Tenho lembranças da década de 90 em que as coisas eram mais simples e mais interessantes. Era interessante descobrir coisas. Hoje não há surpresas nas coisas, há presentes sem surpresas. Há coisas sem lembranças. As cartas chegavam em nossas casas sendo pronunciadas pelo grito do carteiro "carteiro". Hoje elas são arremessadas por cima do muro, pelas gretas do portão, e colocadas nas caixas de correio, e ficam lá morfando por dias, semanas e até meses, tudo pela falta do grito do homem do correio. A mesma coisa são as contas, quando chegava se ouvia o entregador gritando "Coelba", "Embasa", hoje elas são silenciadas nas caixas de correio, quando são colocadas lá. 
    Outra coisa que sinto muita saudade é do sentido das festas comemorativas: Festa de Ramos, Carnaval, Páscoa, São João , Natal e Ano Novo. Estamos em época de São João e comecei a rememorar quando me vestiam com aqueles vestidinho juninos,  e pintavam meu rosto, e traçavam meus cabelos de Maria chiquinha e por fim vinha o chapéu de palha. A festa começava praticamente depois que acabava o carnaval, as pessoas se preparavam para dançar, tinha os ensaios e disputas de quadrilhas juninas. Havia as festas de largo, com comidas típicas feitas em casa. As ruas eram todas enfeitadas pelos moradores, não havia uma rua sem enfeite, parecia até um segundo céu, o de bandeirolas. As cumadres iam uma na casa da outra para preparar os quitutes, ralar o milho, o coco e a mandioca e prosear um pouco. Os vizinhos iam comer uns na casa do outro como forma de camaradagem. E hoje o que vemos? O São João sendo cancelado pelo descaso do governo no que tange problemas sociais, que culminou nesse cancelamento e que vai afetar ainda mais a economia desses lugares. Festas juninas com axé, pagode, samba e sem forró. Todas as festas se transformaram de forma a se organizar em torno do dinheiro. E por isso a tecnologia causou danos irreversíveis para a sociedade. 
    Não sou contra a tecnologia nem a modernização. Sou contra ao que venha causar danos em nossas memórias. Sou contra a promiscuidade que se transformou as coisas: violência, sexo, morte, bebida e dinheiro.  Onde fica as coisas simples da vida, o amor e os gesto de carinho? E olha que as pessoas de hoje pensam que quem pensa dessa forma como eu são antiquadas, de antigamente. De certa forma estão certas, pois quem guarda esses valores é porque já viveu. E quem não viveu acha que vive o melhor dos tempos. Infelizmente não veremos mais as coisas como antigamente, as novas gerações não terão esse prazer, estarão inseridos cada vez mais numa cultura acelerada e sem sentido. 
    Espero viver mais um pouco para poder contar tudo o que vivi. Espero que o mundo de amanhã ainda tenha idosos como no de idoso. Mas idosos com histórias alegres para contar e principalmente com memória.  

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Máscaras

    Máscaras são acessórios que caem muito bem nas pessoas em baile, festa a fantasia ou bloco de carnaval. Mas, infelizmente, as pessoas estão usando máscara ou melhor máscaras, quando a gente pensa que é só uma aparecem inúmeras fantasias que as pessoas usam no dia-a-dia.
    Recentemente na Rede Record de televisão estreou uma novela chamada "Máscaras". Fiquei um tempo pensando na metáfora e que ao mesmo tempo se transformou em ironia na minha cabeça. Venho pensando a um tempo nessas máscaras que as pessoas usam para conseguir alguma coisa. Me vem logo à cabeça os políticos e suas inevitáveis máscaras em época de eleição.
    As pessoas estão tornando-se mascaradas frente às outras pessoas. Na verdade ninguém sabe quem é quem, já se perdeu de vista  o verdadeiro rosto e sentimentos das pessoas. Vive-se anos com um  (a) máscarado(a). Dorme-se ao lado de fantasias. Fantasia-se o tempo todo algo que na verdade não temos certeza se é  ou não é.
    Mas, nem toda máscara fica imune ao efeito do tempo e de seu desgaste. Uma hora ou outra essa máscara cai de forma inesperada e ai já viu não é? E agora José?    

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Tempos de delicadeza"

    Estou lendo "Tempos de delicadeza", de Affonso Romano de Sant'Anna, grande poeta brasileiro. Em meio ao caos mundano, esse livro me caiu como uma luva.
    Antes de iniciar a leitura do livro analisei minunciosamente o título do mesmo, parte por parte, como se fosse dissecá-lo para tentar desvendar o seu conteúdo. Tenho dessas manias, tento fazer uma pré-visualização do que o poeta irá me apresentar. Essa é uma prática saudável e aguça os sentidos. Mas, também eu poderia iniciar minha leitura sem ter que analisar o título ou o que quer que seja, e assim adentrar o conteúdo do livro de uma forma "desarmada" e ver o que o poeta iria me apresentar.
    Mas não foi por acaso que escolhi esse livro para ler de forma distraída e descompromissada. A priori a minha escolha foi pelo título da obra, pois ele é direto e bem sugestivo, além de irônico, "tapa com luva de pelica". Em segundo lugar escolhi o livro por causa do escritor, por já ter lido muitas coisas de suas outras obras. E em terceiro lugar foi por causa de meu amor, esse livro me foi sugerido e emprestado. Que fique claro que a ordem aqui não queira dizer prioridade, mas sim o que minha memória conseguiu de uma forma desordenada ordenar as coisas. 
    Mas, deixando de explicações, vamos ao conteúdo do livro. A maioria dos textos foram publicados em vários órgãos de imprensa do país. Neste livro o poeta trata de assuntos corriqueiros da vida com o olhar demorado e singular da poesia. Para resumir o tema do livro, transcrevo aqui parte de seu texto inicial, o que me fez escrever essa postagem, crônica, conto, relato, história ou sei lá o quê, chamem vocês caros leitores como quiserem:
      "Sei que as pessoas estão pulando na jugular uma das outras. 
       Sei que viver está cada vez mais dificultoso.
      Mas talvez por isto mesmo ou, talvez devido a esse maio azulzinho, a esse outono fora e dentro de mim, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, digamos, delicadamente nessa crônica, varando os tiroteios, os sequestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorrem nas esquinas da televisão e do cinema com a vida. (...)
     Sei o que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados.
     - E eu não sei?
     Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados."
(Trecho da crônica "Tempos de delicadeza")

    Em meio a brutalidade de nosso cotidiano, da crueldade do ser humano frente a outro ser humano resolvi fazer essa postagem. Não há justificativa plausível para ser grosso, cruel e desumano com as outras pessoas. E não são as grandes atrocidades que são ditas brutais, mas a nossa brutalidade é tão sútil, que, às vezes, em pequenos atos, em palavras ríspidas, em gesto de indelicadeza que ela aparece e nem percebemos o quanto fomos brutos. Quando se percebe a pessoa já fez um pré-julgamento da gente, e encontra-se bem afastada de nós. E o pior, já saiu por aí espalhando para todo mundo o quanto somos brutos. É a nossa imagem feita. 
    O sorriso é nosso cartão de visita, não devemos estragá-lo ao abrirmos a boca e sermos brutos. Do que nos adianta um belo sorriso se de nossos lábios são profanadas palavras ríspidas? às vezes é melhor ficar calado que falar besteiras. No nosso cotidiano a indelicadeza impera, a cada contato com as pessoas, entre dez, oito foram brutas, e suas imagens foram feitas por nós e espalhadas por aí. Exagero meu? Não! Vou citar alguns exemplos, quantos de nós entramos num ônibus e damos bom dia, boa tarde ou boa noite ao cobrador? E ao sairmos agradecemos ao senhor motorista? Não! Se todo mundo disser que sim é mentira, pois tenho certeza que muitos de nós achamos que eles não estão fazendo mais que suas obrigações. Errado! Ser gentil independe de obrigação, é questão de educação. Quantos de nós fazemos pré-julgamentos das pessoas mesmo antes de conhecê-las? Quantos de nós ignoramos outra pessoa por ela não fazer parte de nosso grupo, de nosso status social ou o que quer que seja? Pois só lhe damos com pessoas que se pareçam conosco ou eu estou errada? Quantos de nós não damos bom dia, boa tarde, boa noite em locais que adentramos ou que chegamos atrasados? Quantos de nós ignoramos a autoridade das pessoas, passando por cima de leis e regras para satisfazer nossos desejos pessoais?  Tudo isso é indelicadeza. Eu poderia passar um bom tempo aqui escrevendo indelicadezas que cometemos no nosso dia-a-dia, mas prefiro passar para o próximo parágrafo, pois todo mundo sabe o quanto é indelicado com os outros. 
    E não adianta dizer que é culpa do governo, da "justiça injusta". Acredito que muitas pessoas não sabem o significado de "dar tapa com luva de pelica". É o mesmo que ser delicado, brutalmente delicados! Do que adianta "pagar na mesma moeda"? Aí me veio aquela frase de Shakespeare "Ser ou não ser, eis a questão"? Tá na dúvida, é melhor não ser, seja você mesmo, mas se ser você mesmo é ser que nem os outros, então seja um outro, o que ainda não existe. Mude. Seja acima de tudo delicado!
    Ser delicado não é questão de gênero, tanto o sexo feminino quanto o masculino, quantos gays, lésbicas, transsexuais e outros gêneros podem ser delicados. Delicadeza vem de dentro do coração, muitas pessoas precisam com certa urgência passar por uma desintoxicação  coronária, talvez pulmonar, pois as pessoas são movidas pela brutalidade, assim como também a respiram. 
    Na contemporaneidade, seguindo para o futuro, digo que é necessário praticarmos a delicadeza, pois já estamos vivendo em tempos de caos, assim como o mundo foi criado num caos, sem querer aqui defender nenhuma tese sobre a criação e existência do ser humano, vai ser difícil mudar o que já está predestinado, e de novo sem querer defender teorias de destino e pré-destinação, apenas digo isso pelo simples motivo de nós mesmos estarmos criando um caminho sem volta, que se escreve em nossas vidas. Senão a guerra não seria a desestabilização da harmonia, e só existe guerra pela insatisfação do ser humano em querer mais do que tem, e em querer ser mais do que pode ou mais do que os outros, isso é indelicado, brutalmente indelicado. 
    Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados."

quarta-feira, 7 de março de 2012

Quando a gente ama


    É tão estranho quando a gente está amando. A gente é capaz de tudo pela pessoa amada. Não estou falando de obsessão, mas sim de amor, de paixão de verdade.

    Quando a gente ama tudo se torna tão belo aos olhos. Evidente que todo mundo tem defeitos. Ninguém é perfeito e nem será, pois não existe ninguém perfeito e nunca existirá. Mas aos olhos de quem ama não há defeitos na pessoa amada, e se há não são tão graves a ponto de causar brigas ou desentendimentos e se causar ambos são capaz de mudar só para ter que se ama ao lado.
    O ponteiro do relógio é o nosso grande inimigo, as horas demoram em passar para encontra a pessoa amada, pra abraçar, pra beijar. Pra estar perto sentindo o cheiro, o toque da pele, o gosto do beijo.
    A saudade causada pela distância é uma angustia angustiante. É ela quem nos faz querer cada vez mais estar perto de quem se ama. A gente só sente saudade de alguém que amamos muito. A gente só sente por aqueles que queremos muito. O desejo é uma faca de ponta fina que machuca o coração constantemente, numa loucura incessante por querer sempre mais a quem se ama.
    Você caro leitor já sentiu seu coração parar, sua respiração cessar, e de dentro vir um suspiro longo e incontrolável? Se já isso se chama amor, se não tenha calma, pois você vai encontrar alguém que te faça suspirar 1000 vezes por segundo, e isso se chama AMOR!
    Quando a gente ama se fica assim meio "bobo". Ah, o amor. Quando eu amo, eu sou toda amor, sou toda sua...    

Há vagas, requisito básico: seis meses de experiência

    Fico indignada quando estou procurando emprego e vejo no anúncio: há vagas, requisito básico: seis meses de experiência. Como uma pessoa que acabou de sair do segundo grau, do curso técnico ou superior  pode ter experiência em algo que acabou de se formar? Pior ainda é quando se vai procurar estágio na área de formação, ressaltando que estágio é para as pessoas que cursam nível técnico, superior e até mesmo ensino médio, sem ter se formado ainda.
    Como as pessoas terão experiência se não passarem por algum estágio? Você se acaba trabalhando para a prefeitura durante nove ou um ano, no final recebe um certificado para comprovar que passou por essa experiência. Na hora de procurar emprego você vai todo esperançoso de que vai conseguir um emprego, por ter experiência suficiente para encarar qualquer "trampo", na hora a atendente do sistema de pesquisa de emprego te diz que sua experiência não vale de nada, pois ela só vale se for comprovada na carteira. Agora a gente tem culpa de a prefeitura não querer assina nossa carteira de trabalho e nos pagar uma miséria para trabalhar vinte horas semanas?
    O mercado de trabalho cobra tanto essa questão de experiência, quando você tem a experiência necessária e você consegue o emprego tão desejado, ai sim você percebe que é tudo uma "burrocrácia", pois o trabalho que é pra ser feito, pode ser feito por qualquer pessoa, até mesmo pelas que não têm experiência para o cargo. 
    A indignação é grande quando você percebe que sua graduação não serve pra nada. Seu diploma vai ficar por muito tempo guardado naquele envelope pardo. As pessoas ainda te indagam o motivo pelo qual você não trabalha na área de formação, parece tão óbvio, mas as pessoas ainda insistem em fazer essa pergunta.
   Ai você fica frustrado, com vontade de mandar todo mundo pros quintos dos infernos e de mandar essa graduação fajuta pro escambau. Experiência?  Pra que? Pra lecionar em minha área de formação? Então pra que que eu fiquei quatro anos dentro de uma faculdade? 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vivendo e escolhendo...


A gente vive fazendo escolhas sem saber se elas são certas ou erradas.
Na verdade, acredito que as escolhas são partes da vida, que nos fazem movimentar-se em busca do que queremos.
Nunca temos certeza se o que escolhemos é bom ou ruim pra gente.
Mas vamos em frente sempre acreditando que foi a melhor opção naquele exato momento em que não tínhamos escolhas além da própria escolha.
Começamos a escolha antes mesmo de nascer, lá antes de chegar no ventre de nossa mãe, ainda quando eramos um mero espermatozoide. Não sei se no meu caso tive escolha (risos)
Até a nossa morte continuaremos a escolher, quem sabe até escolher para não morrer.
Mas, acima de tudo a escolha mais difícil é quando não sabemos se é possível dividir nossa vida com outra pessoa.
Mas, esse problema termina justamente quando devemos escolher, e quando escolhemos ou melhor quando achamos a pessoa que ao nossos olhos parece ser a pessoa certa para dividir a nossa vida ou melhor o melhor que há em nós e alguns problemas, coisas normais.
A questão é não ficar em cima do muro. Escolher é ser forte, é saber que mesmo na escolha que parecer ser errada se tentou fazer o certo.
Eu vivo escolhendo, às vezes, não me preocupo se o que escolho é o certo ou errado. Prefiro nem pensar nessa possibilidade, pois pode me deixar inerte ou com medo. Prefiro pensar que estou escolhendo o melhor pra mim, sempre dando tudo de mim para que minha escolha se torne a melhor mesmo que para os outros não seja.
Também não me preocupo com o que os outros acham de minhas escolhas, a vida é minha e quem deve escolher sou eu. Vivo a minha vida conforme meu salário deixa e conforme o meu amor. Não me venham dizer que isso ou aquilo é errado.
Na verdade o que quero falar vai além disso. Quero dizer que a minha escolha, que tudo o que tenho em minha vida foi escolhido. Mas, o amor, ah, esse danado me pegou de jeito.
Digo que escolhi muito bem a pessoa que hoje faz mais do que parte de minha vida. São quase 10 meses de muita felicidade, já vejo esse número se transformar em uma década, duas, três....
Nesse caso não foi escolha, esse caso foi amor mesmo, de verdade, daqueles que deixa a gente sem ar, sem fôlego, sem noção do tempo e do espaço. A gente não escolhe o amor, ele nos escolhe e nos apresenta a alguém. O mundo conspira ao nosso favor! Fato! Uma coisa que escolhi meu amor foi viver ao teu lado até o fim de minha vida. Quero viver ao teu lado, compartilhar com você na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe! Essa sim que é a minha maior escolha. Tenho certeza que não me arrependerei de tudo que fiz para estar ao teu lado. Tenho certeza que não me arrependerei de lutar pelo nosso amor. "Tudo vale a pena se a alma não é pequena". E sua alma nada tem de pequena, você é a pessoa mais especial desse mundo.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O Novo, Martha Medeiros in Montanha-Russa, crônicas, L&PM, 2006


    Procura-se, vivo: Morto não interessa. Procura-se a novidade que vai fazer o povo refletir, questionar, enlouquecer. Algo nunca visto, original, que desestruture, surpreenda, revolucione.
Raios, temos que ser novos. Não se pode repetir fórmulas, não se pode reprisar o que dá certo, ficam proibidos todos os prazeres conhecidos. Música, literatura, cinema, moda: reinventem-se!
Ai de quem não ousar.
    Se criamos frases com sujeito, verbo e predicado, não servem. Se fazemos concretismos, somos arcaicos. Arrancamos lágrimas, somos clichês. Arrancamos risos, somos superficiais. Criem, criem perucas feitas de acrílico, contos que matem o leitor, biquinis que mostrem a bunda: inspirem-se!!
Biquinis que mostrem a bunda, missão cumprida.
    Por todo o lado, a cobrança. Relações novas, cores novas nas unhas, histórias nunca contadas,
pensamentos nunca pensados, um jeito diferente de pintar o sol, de construir edifícios, de atender o telefone.
Fazer diferente, impressionar. Nada de ser lírico, nada de ser cru, transgrida, provoque a crítica, provoque o público, não caia no gosto popular, não seja excêntrico, não seja petulante, não seja o mesmo, não tenha estilo, não finja ser o que não é, não seja excessivamente confessional, olha o umbigo...
    Decore sua casa com cáctus gigantes e tenha um lagarto como bicho de estimação. Não, isso é tão anos 70... Leia todos os clássicos da literatura alemã, francesa, inglesa, americana - sim, seja intelectual, isso pega bem até a meia-noite de hoje. A partir de amanhã, leia e releia blogs, literatura do futuro.
Use batom branco, não use calcinhas, tome energéticos, tome algo lilás, não seja bonito, seja interessante, consuma, consuma, consuma até encontrar o seu tipo, o seu modo de estar no mundo. É tudo tão antigo, tão igual, cause impacto, escandalize a plateia e o porteiro do seu prédio. Ou seja terna. Ternura! Enfim, uma palavra nova. Use ternura, coma ternura, vista ternura. Até o final da estação.
    Procura-se o novo. Embaixo da cama, em cima da cama, dentro dos livros, nos faróis dos carros, nos videoclipes. Despreza-se o mesmo, feito do mesmo jeito. Despreza-se a qualidade mil vezes vista. Despreza-se o consagrado - abram espaço para o inusitado.
Se vocês encontrarem o novo, não se apressem em me mostrar. Ainda estou absorvendo o que foi novo horas atrás.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O céu me lembra você

   
                               
     Ontem, 26 de dezembro de 2011 estava deitada no quintal de casa. Olhei para o céu, como sempre faço. Gosto de admirar o céu e de ficar procurando bichinhos e outros desenhos nas nuvens. Não importa se é dia ou noite. Nuvens pode estar tanto de dia quanto de noite, mas o que muda é o espetáculo. 
    Gosto de observar o céu pela manhã, quando o sol está nascendo e quando as estrelas e a lua estão dando lugar a luz do dia e o sol aparece imponente. Gosto de olhar o céu quando ele está se pondo, principalmente se eu estiver acompanhada, com você é claro. Gosto de olhar as fases da lua principalmente quando ela está cheia. Até mesmo de madrugada o céu é lindo.
    Mas, na verdade, eu não vim falar do céu não só por isso. Mas o céu me faz lembrar você. Olhar pro céu me faz lembrar da calma que você me traz. O céu me faz  lembrar o quanto me sinto bem ao estar ao teu lado. O céu me faz lembrar que esqueço do mundo quando estou com você.
    O céu me traz toda a calma que você me traz. As nuvens me faz flutuar em meus pensamentos em busca de você. O céu me faz lembrar dos nossos momentos maravilhosos, e que bons momentos. O céu me faz desejar viver todos esses momentos de novo. Cada um, sem exceção, mas com mais intensidade. O céu me faz desejar-te cada dia mais, cada vez mais, cada momento mais e mais.
    O céu me faz lembrar o futuro. Futuro que ainda estamos por construir. Mas, essa sensação é tão grande e espetacular em mim que fico me perguntando como posso sentir algo que ainda nem foi construído? Não sei explicar. Não quero explicações. Apenas gosto de sentir essa sensação que me faz feliz. Nos momentos tristes ou difíceis me apego a isso e fico bem mais tranquila.
    Não sei explicar com palavras racionais o que senti ao ver o céu ontem. Mas sei que só lembrava de você, e da saudade que tava sentido e da falta que você me faz. Além da vontade de te ter aqui do meu lado no meu quintal, olhando pro céu, sentindo essa sensação maravilhosa e dormindo ao meu lado num sono tranquilo. Apenas isso!      

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal?

    Natal é época de festa, de alegria, de paz, amor e também o dia de pedir perdão a quem magoamos. Natal é época de refazer amizades abaladas por algum conflito durante o ano. É dia de reatar a amizade(s) com fulano(a) ou com cicrano(a).
    Natal também é época de reunir a família em torno de uma mesa repleta de comidas típicas da época. Muito panetone, chester ou peru, muitos doces e salgados. Bebida também não fica de fora. Tem vinho, cerveja  para os adultos e para as crianças tem suco de uva ou de qualquer outra fruta, pois ninguém é obrigado a tomar suco, ainda mais de uva. 
    Natal simboliza tantas coisas. Mas será que estamos em clima de Natal? Será que nossas ações representam o Natal? Do que adianta refazer amizades, se por trás de nossas ações está algum interesse sórdido? Do que adianta sentar na mesa com a "família", se os corações estão amargurados e estão um em frente ao outro resignados, com dor de cotovelo e com vontade de pegar uma faca ou um garfo e furar o olho do outro que acabou de beijar na face?
    Natal é época de presentes, de roupas caras, de perfumes importados, de sapatos da moda, de celulares bacanérrimos, de cestas natalinas e de um vale compras de presente. Natal é época de gastar, e se você não comprar um presente bacana, saiba que nem vão olhar em sua cara. Natal é feito de relações capitalistas. Não existe mais amor, não existe mais amizade e humildade nos corações das pessoas. 
    Natal é época de fingir gostar de todos que convivem com você dentro de casa. Do seu chefe, e de seus colegas de trabalho. Todo mundo gosta de todos os seus amigos, sejam eles virtuais de redes sociais de relacionamento ou de seus amigos reais, de carne e osso, e repassam, mesmo que seja uma pessoa que você não fala a milhões de anos,  aquelas lindas mensagens desejando muita paz, muito amor e prosperidade. Mas na verdade você só quer dizer para muitos que deseja mesmo é que ela se foda e o escambau. 
    Também não vou generalizar, sei que em muito lares o Natal simboliza paz, amor e alegria. E que de fato o Natal tem uma certa importância para eles. Mas, por favor, tenham consciência das mensagens que andam espalhando por aí. Não mandem mensagem para aqueles que não querem só para manter a aparência. Se você gosta da pessoa, beleza, viva!. Mas se não gosta deixe-a em paz, há outras pessoas que gostam. Faça sua parte e mantenha-se distante de toda e qualquer hipocrisia. Pois não tente justificar suas ações só porque é Natal.