segunda-feira, 31 de maio de 2010

    Estou cansada dessas coisas que enchem a paciência. Estou cansada de ouvir você me dizendo sempre as mesmas coisas, de fazer sempre as mesmas coisas, e achar que tudo é diferente. Estou cansada de suas promessas rotas, suas palavras clichês. Estou cansada de você, de você falando de você, de fazendo você, e dizendo sempre coisas de você.
    Estou cansada de você que fala sobre mim, que diz sobre mim e fica me fazendo como se tivesse direito de me tecer. Estou cansada das mesmas coisas que me levam sempre a você, que me fazem te escutar, que me fazem ter paciência, e calma e lentamente, escutar-te sem mais quê nem pra quê.
   Estou cansada de mim mesma que se cansou de você.

Seria bem mais fácil se eu acordasse

    Tudo poderia ser bem mais fácil se você estivesse aqui comigo agora. Tudo poderia ser bem mais fácil se você dissesse que me ama, e que tudo não passou de um sonho, um pesadelo terrível. Um engano. Tudo isso que vivemos é um engano. Não era para estarmos assim, separados. Só não somos nada do que podemos ser, ou ter sido. Não era para nada disso ser verdade. Não é verdade. Quero acordar desse sonho que me prende nessa escuridão do meu inconsciente, labirinto.
    Perdida estou agora. Debato-me e meus olhos nem se quer piscam. Estou de olhos abertos, o sonho é realidade. Preciso dormir e sonhar que tudo isso é mentira, e que eu estou apenas acordada em meu próprio sonho. Seria bem mais fácil se eu acordasse agora, e tudo não passasse de um terrível engano de mim mesma.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Rascunho do tempo

    Todos os dias fico aqui em frente, sempre pensando o que escrever. Deparo-me com a tela a me espreitar. Mas na verdade eu poderia ficar minha vida toda tentando descrever o que sinto. Nenhuma palavra poderá, jamais, alcançar a amplitude desse sentimento infinito que me toma por inteira. Na verdade sinto uma vontade extrema, é quase uma necessidade física e mental de te colocar em letras garrafais. Em frente aos meus olhos, tento te ter, te tocar e te consumir por inteiro.
    Você foge, e num piscar de olhos reaparece. Reencontro minha paz. Te reencontro, e o desejo inconstante me consome. Fica sempre essa vontade de te tomar num gole só, com os olhos vendados te amar por inteiro, e num último gozo, acordar para a vida que me espera lá fora antes que o tempo seja desperdiçado.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sopro de vida

    Peça por peça a vida vai pregando a sua. Nesse palco brilham estrelas desconhecidas, que diariamente encenam uma tragédia, um drama, uma comédia ou até mesmo uma tragicomédia. Sobem as cortinas e entra em ação um monológo, um solilóquio ou o que queiram encenar numa exaustão inexorável da vida.
    A todo momento o palco gira, a cena muda e os artistas ganham novas características, novos figurinos, novas faces e máscaras. Num sopro a vida se reconstrói, lentamente, tudo volta ao seu lugar no momento exato.
    "O momento que passa pode ser tudo que me resta pra viver, mas eu desperdiço o tempo como se ele fosse infinito. Penso, logo sei que existir é uma circunstância".

terça-feira, 18 de maio de 2010

Do que me vale

    Do que me vale um copo de cerveja, que desce amarga na garganta, quando você não está aqui perto de mim para poder me acompanhar nesse gole? Do que me vale um cigarro, mal tragado, se você não pode compartilhá-lo comigo? Do que me vale pensar em você, se um outro alguém está em meu lugar? Do que me vale MPB, se nossas melhores músicas tocam, e um vazio permanece do meu lado, nenhum comentário, nenhum gesto e nenhum sussuro ao pé do ouvido? Do que me vale viver, se, como um sopro, vejo a vida dissipando-se por entre os dedos?

    Do que vale qualquer coisa, se bebo, se fumo, se ouço e se vivo você, sem você?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lembranças

    Revendo minhas fotografias, meus momentos, me pergunto o que terá acontecido com aquele sorriso. Será que ficou congelado naquela imagem, retida naquele momento captado pela lente fria da câmera? Revendo minhas fotografias relembro aquela vida que vivia incondicionalmente, e me pergunto onde ficou perdida, será que morreu?
    Revendo minhas fotografias perdidas, ou estampadas na estante da sala, fazendo-me lembrar daqueles instantes maravilhosos, me pergunto qual a diferença existente entre eu e ela? Entre meu sorriso e minha cara amarrada de hoje? Não sei se sou melhor hoje o quanto fui ontem, se é que ontem fui melhor, ou que um dia a fui.
    Sei que busco uma resposta.Por isso guardei, num lugar bem seguro, todas as fotografias antigas até eu encontrar a verdade sobre mim. Guardei para que ninguém pudesse me julgar, ou comparar-me com aquela pessoa estampada naquela foto, aquela pessoa que creio não ser eu. Às vezes, ousadamente, olho todas as minhas fotografias para ter certeza que não sou eu, realmente não sou eu. Aquele alguém estampado naquelas fotografias é um alguém que criaram pra me confundir, mas eu não cairei nessa cilada. Ainda vou lembrar quem sou, sei que em algum momento fui alguma coisa para você, só não sei o quê.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

    Minha literatura não consegue te descrever. Meus conhecimentos metafóricos, são apenas metafóricos. Minha alegoria, ah, minha alegoria, nada. O que fica é a sensação de suspensão. Sublime, poderia te descrever. Sublimação, é o que sinto, um amor sublime. Parece ser banal, mas é mais banal do que o banal no(do) banal.

    Dói. Mas dói tanto que sinto falta de ar. Sinto tudo, mas não sinto mais vontade. A vontade morreu quando você se foi e nem disse adeus. Não olhou para trás. Não vi nada mais pela frente, só sua sombra dobrando a "esquina". Não adianta mais lamentar tanto, lamentar não vai me levar a te ter novamente. Nem sei se tudo, mas tudo mesmo, voltará a ser como antes. Sei que tudo não é possivel, seria pedir demais, mas sei que o amor que sentimos continua o mesmo.
    Minha pele transpira amor, desejo quando sinto teu cheiro, toco sua pele. Me diz o que é isso que sinto, se não é amor? E me diz o que faço com esse meu sentimento, se você não o quer mais? Lembra-se das promessas que me fez e ainda não cumpriu? Lembra-se do pedido que me fez? Eu cumpro cada palavra do que disse.

Confissão de uma adolescente

    "Todos me viam sorrindo, mas não sabiam a tristeza que eu carregava dentro de mim. Num último suspiro a vida se recontava".

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Preconceito "burrocrático"

    É engraçado. Na verdade, não sei nem quem ou o que é engraçado, se a vida, se sou eu ou se somos nós seres humanos, que de tão racionais, acabamos nos tornando irracionais. Fazemos pré-julgamentos das pessoas, ridicularizamos ou até mesmo as ignoramos. Agora me pergunto porque e para que? Muitas pessoas usam desse artificio para se darem bem na vida, às custas dos outros ou até mesmo nas mazelas dos outros.
    No meu caso, a engraçada sou eu, pois todas as vezes que julguei as pessoas, acabei fazendo julgamentos errados. Por qual motivo as julguei? Simplesmente, pela primeira aparência, pelo primeiro gesto, pelo primeiro olhar ou até mesmo pela primeira atitude "errada" - o que é errado para um pode não ser errado para o outro - em relação ao outro, ou pior, por influência de outros, que é pior ainda. Dar oportunidade a elas, é dar oportunidade à mim mesma de conhecer o mundo, suas particularidades e suas verdades, se é que elas existem, inabaláveis e até mesmo inaceitáveis.
    Essa é a vida tirando sarro de minha cara, pois hoje encontro-me aqui, revendo meus julgamentos e posicionamentos em relação às outras pessoas. Um dia quem julguei, hoje são pessoas extremamentes próximas a mim. Pessoas incomparáveis, geniais, de face tão limpida quanto a minha, de sentimentos tão belos quanto os meus, de vontades tão próprias quanto as minhas, de serem humanas tanto quanto eu, simplesmente de terem uma vida, não importa se "melhor" ou "pior" que a minha, são vidas que merecem ser vividas e aplaudidas. Preconceito nunca mais!