sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quando o mar está revolto...

O mar lateja suas ondas nas pedras. Surdamente penetra-a o desejo de afogar-se na profundeza desse mar. Como ostra quebrada deglute o seu gosto. Instintivamente seu cheiro, afrodisíaco, se apodera dela, musgo que grudam ao corpo, tentáculos em busca de algo para agarrar-se. Toma-a por inteiro.
Deixa-se levar, em agonia incessante. Já não sente mais nenhum membro do seu corpo, nada mais responde aos seus sinais. Os olhos atentos seguem o rumo do mar que muda a todo o momento.
Obediente, somente a ele, se contorce e se deixa levar. Ondas que arrebatam tudo que encontra a frente, arrasta-a, pedra pequena, muda, recebe suas águas que escorrem e deixam suas espumas densas...gozo.
















Laçamento do livro "Cabidela: bloco-de-máscara", de Laura Castro


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Escritora baiana transforma blog literário em livro-objeto

Com intuito de deslocar a obra literária de seu lugar tradicional e propor novas práticas de leitura através de uma narrativa marcada pelo trânsito e fragmentação, a escritora baiana Laura Castro lança seu primeiro livro,Cabidela: bloco-de-máscaras. A publicação foi contemplada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), através do edital de criação literária, e será lançada no dia 18 de junho, às 20 horas, no Sebo Praia dos Livros (Porto da Barra). Produzido por Ricardo Dantas, o lançamento é aberto ao público e contará também com ação performativa em parceria com a artista de dança Candice Didonet.
A obra é composta de textos publicados no blog cabidela.blogspot.com, projeto que, desde 2008, organiza e expõe os escritos literários da autora, até então produzidos aleatoriamente nos blocos de notas e em cadernos. Nas postagens, escritas sem continuidade aparente, um enredo se sobressai: o trânsito. Um transitar que se expressa na tensão entre vozes narrativas de primeira e terceira pessoa; num movimento constante de ida e volta de um foco narrativo para o outro; na narrativa oscilante de uma prosa-poética; numa personagem que se muda para outra cidade e na voz de uma escritora anônima perseguindo uma personagem, Luíza Breu.

Buscando um diálogo entre a virtualidade da tela e a materialidade das folhas de papel, Laura Castro reordenou o conteúdo do blog e desenvolveu, em parceria com a designer Cacá Fonseca, um livro-objeto formado por quatro elementos: um romance (“Breu”), um bloco de notas (“Borratório”), um baralho e duas máscaras. Sem a linearidade tradicional dos romances, “Breu” apresenta uma narrativa dupla. Com dois começos e um final que deságua no outro, a leitura pode ser iniciada por qualquer um dos lados do livro. No “Borratório”, o bloco de notas, Laura Castro revela pistas de seu processo criativo, um laboratório de experimentação em que se esboça e borra a si mesma ao se autoficcionalizar.
Se no romance a personagem resiste em saber o que o tarô tem a lhe dizer, o leitor de Cabidela é convidado a complementar os sentidos da narrativa através de um baralho de cinco cartas, embaralhados ao acaso no interior do livro: A decisão, O retorno, O velho marinheiro, O moço das cartas e O círculo. As máscaras funcionam como artifícios de leitura, com os quais é possível fragmentar o texto impresso e criar novas narrativas.

“O livro-objeto convida o leitor a se arriscar, a abandonar a relação aurática que geralmente tem com o livro para profaná-lo livremente. O que quer dizer que Cabidela prevê um leitor ativo, disposto às reviravoltas da narrativa, que intervém nesse objeto literário”, explica a autora. A partir do incentivo concedido pela Funarte, ela imprimiu uma pequena tiragem do livro e busca agora uma parceria com editoras interessadas em publicar a obra, para fazer com que o seu “bloco-de-máscaras” ganhe outros circuitos.

A autora - Laura Castro é uma escritora de bloquinhos. Baiana de Salvador, ela viveu grande parte da vida em Brasília, onde se graduou em Letras e concluiu o mestrado em Literatura pela Universidade de Brasília. Durante três anos, foi membro do grupo de teatro Entrecenas e participou de espetáculos criados a partir de textos da literatura brasileira contemporânea. De volta à Bahia há dois anos, atualmente, leciona no Instituto de Letras da UFBA e é doutoranda do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da universidade, onde pesquisa a escrita performática na narrativa contemporânea.


Serviço:

O que: Lançamento do livro-objeto “Cabidela: bloco-de-máscaras”, de Laura Castro

Onde: Sebo Praia dos Livros (Porto da Barra, ao lado do Instituto Mauá)

Quando: 18 de junho, às 20 horas

Quanto: O livro será vendido por R$ 30

Contato: Tess Chamusca (tesschamusca@gmail.com, 71 8801-6162)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

COISAS DO AMOR................

Coisas do amor...

ELE DISSE "TE QUERO"!
E EU SEMPRE DESCONFIADA...COMO SEMPRE...
ELE CONTINUOU DIZENDO "TE QUERO"...
E EU CONTINUAVA COMO SEMPRE NADA DIZENDO.
ELE AGORA DIZIA "TE AMO".
AÍ FOI QUE EU FIQUEI MAIS EM DÚVIDAS.
HOJE ELE NÃO DIZ NADA.
EU SINTO FALTA DO QUE ELE DIZIA.

HOJE EU DIGO "TE QUERO".
ELE ANDA DESCONFIADO E COM MEDO.
SÓ NÃO SEI DIZER "TE AMO"...
MAS SINTO SUA FALTA.
SINTO SAUDADES.
QUERIA TANTO OUVIR VOCÊ DIZER AQUELAS PALAVRAS,
QUE HOJE FAZEM TODA A DIFERENÇA.......................................

HOJE ELE NÃO QUER MAIS FALAR.
EU DISSE A ELE: NÃO SUFOQUE DENTRO DE VOCÊ O QUE VOCÊ SENTI!
PARECE QUE ACONTECEU O QUE EU MENOS ESPERAVA.
É ACONTECEU MESMO!
FOI INEVITÁVEL NÃO PODERIA NÃO ACONTECER.

AGORA NÃO SEI O QUE FAZER.
NÃO SEI O QUE DIZER.
E FICA ESSE                                                                             ESPAÇO ENTRE NÓS...                                                

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Pagú

Nada tem de japonesa, nem sequer olhos de chinesa. É bem brasileira, de Letras. Gueixa? Que nada! Queixa, queixuda, queixo duro, de concreto.
Memórias de uma queixuda, cara dura... Não usa quimono, que nada. Tiazinha, "professorinha", mulher gato!
Reverência? Não, não, não, no samba ela disse que rala, no samba ela disse que vai ralar... a tcheca no chão, a bunda na lata. Late, late (...) lisa, alisa, desliza....
Puuuu.......taria pura. Piriguete, pirigueixa, piriqueixuda... Sacanagem, não pise no meu pé que eu piro, piro, piriguete. Pirilouca, piri porra louca. Pagú!
Relações públicas. Coloca publicidade nisso. Ela é pública de frente, de lado, de costas, retaguarda, baixaria pura. Oral, oralidade é seu mal. Diz que tem dificuldade em se expressar oralmente, eu duvido muito que isso na sua cabeça entre. Olhe bem pra "cara dela" de pudica, pudor de mosca de padaria. Chupa essa manga se você puder...

                                               À minha amiga Lisiane piri porra louca!

sábado, 28 de maio de 2011

A pessoa é para o que nasce

    Não se nasce sabendo o que se vai ser quando crescer, apesar de, às vezes, sim. Nesses casos do sim,       há duas escolhas. Mas, isso é a opção da própria pessoa, e acredito que ninguém deve se meter. Mas, as pessoas vivem se metendo na vida das outras, dando opiniões errôneas. Vou mandar essas pessoas irem para o .................................................................. quinto dos infernos.
    Eu sou o que sou e ninguém tem nada haver com isso, vão procurar o que fazer cambada de porra!   

sábado, 14 de maio de 2011

    Agora o coletivo de vendedores de guloseimas em ônibus é baleiro. Fui bombardeada ontem por seis baleiros dentro de um ônibus, em menos de uma hora de viagem. A cada três pontos de ônibus entrava um. Em noite de chuva, coletivo lotado, todo mundo cansado, sem falar dos passageiros que estavam em pé, e aquele bando entrando gritando, e te forçado a pegar os produtos que você não quer comprar. 
    Eu só queria dormir no pouco tempo que me restava da noite, antes de chegar ao meu destino. Queria descansar só um pouquinho, mas eles faziam de tudo para que os passageiros acordassem. E acordavam sim, todos injuriados, se recusando a pegar o que quer que seja, e que não querem comprar. O único recurso que tínhamos era colocar o fone de ouvido para não ouvir os berros dos baleiros, que mais pareciam vendedores de feira, tipo a feira de São Joaquim, ou até mesmo o camelô lá da Estação da Lapa.
    "Nossos baleiros" estão ficando cada vez mais equipados, se você estiver com fome tem os salgadinhos, se estiver gripado, com a garganta inflamada tem as balas de gengibre, e se você estiver com a roupa descosturada ou o sapato furado, eles têm conjunto de agulhas e cola super bond. Mas, se você estiver precisando de um chip, eles também têm. Pois é meus caros, agora você não precisa ir nas lojas, bancas de revistas ou o supermercados ou onde quer que seja para poder comprar seu chip. Lá no baleiro tem, chip da Oi por R$10,00, e o melhor e que vocês não vão acreditar, o chip vem com R$80,00 reais de bônus! Inacreditável não é?
    E se vocês acham que acabou estão redondamente enganados, pois eles devem ter vinculo empregatício com a operadora, pois eles devem ser contratados pelas mesmas. O discurso deles é: eu conversei pessoalmente com o patrão e pedi para ele abaixar o valor do chip que era R$20,00, agora pessoal vamos aproveitar, pois o chip custa apenas R$10,00 reais. 
    As únicas pessoas que paro realmente para escutar o que falam quando adentram o coletivo são as pessoas que divulgam suas artes e ajudam a valorizar a cultura que é desvalorizada por todos. Os meus preferidos são os cantores que divulgam suas músicas à voz e violão. MPB! Ali sim eu faço questão de valorizar. Também os repentistas, que são raros, mas que às vezes, entram no coletivo, e também o pessoal da Companhia do Riso, que vendem aqueles cartões maravilhosos de amizade, amor e alegria, além de fazer-nos rir.   
    Mas, infelizmente não podemos fazer nada para não sermos acordados, ou ouvir desaforos deles por não comprar seus produtos, como se fôssemos obrigados a comprá-los. Vamos continuar a ser acordados, com seus gritos, ou melhor berros, constantemente...   
     

sábado, 7 de maio de 2011

Quero gritar, mas não consigo...

    São tantas coisas que quero escrever, gritar para vocês, em letras garrafais. Mas, dentro de mim algo mais forte grita instintivamente, para deixar meus sentimentos guardados lá no fundo do peito, na mais profunda escuridão dos pântanos.
    Meus dedos querem escrever, meu coração pulsa num ritmo descompassado, minha mente já não sei, ela, às vezes, falha, do nada, como se a qualquer momento fosse pifar, eu sinto isso, só tenho medo de não ter tempo o suficiente para dizer e fazer algumas coisas que ainda estão pendentes...
    Eu quero é mesmo viver loucamente, só não sei se no meu caso isso seria possível, mais loucuras que as minhas acredito ser impossível. Vou me jogar de uma ponte, só que de paraquedas, que eu não sou besta. Vou aprender a nadar; a ser mais tolerante, paciente; deixar de ser rude; deixar de agir com impetuosidade, com minha ira e fúria....
    Ah, não sei! Como eu quero fazer tantas coisas, dizer tantas outras milhares de coisas, mas nem sei por onde começar...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A metamorfose do cisne

Cisne Negro



    Acabo de assistir ao filme Cisne Negro, com Natalie Portman interpretando o papel de Nina Sayers. O filme Cisne Negro é uma interpretação da peça "O lago dos cisnes", do compositor russo Tchaikovsky e do libreto  de Vladimir Begitchev e Vasily Geltzer. Sua estréia ocorreu no Teatro Bolshoi em  20 de fevereiro de 1877. 
    O cisne negro é a metamorfose do cisne branco. Dentro de todos nós dorme um cisne negro. Nós sofremos metamorfose constantemente. Nosso corpo ao longo da vida sofre esse processo de mudança, inerente à nossa vontade.
    Quando terminei de assistir ao filme fiquei a me questionar até onde seríamos capazes de ir para conquistar os nossos objetivos? Cisne Negro não é apenas a história de uma mulher em busca de um príncipe,  que irá salvá-la do feitiço que a transformou em cisne. Cisne Negro é a metáfora do bem e do mal que existe dentro de nós, e que só é posto pra fora quando nós sentimos ameaçados. 
    Todo mundo tem um lado mal, que aparecerá quando for necessário. Não adianta dizer que se é "bonzinho", mesmo que você sempre seja bom  e sua bondade seja vista por todos. Dentro de você mora     um lado obscuro, que a qualquer momento pode se revelar. Daí já viu não é? Toda uma farsa, uma máscara que se carregou por toda uma vida é crestada, e cai por terra. 
    Só que essa vontade, de alcançar esse desejo, pode se transformar em alucinação, psicose. Todos os males que residem em nossas mentes acabam por se apresentar de uma forma alucinante.  A realidade é confundida com a ficção. Já não se sabe distinguir o que é certo e o que é errado. É o que acontece com Nina, que para alcançar o papel de Rainha Cisne, e depois de ter conseguido o papel, não mede esforços para alcançar a "perfeição". Nina era uma perfeita Cisne Branco, só que não conseguia incorporar a Cisne Negro. Ela era perfeita demais, possuía muita técnica, mas não tinha uma desenvoltura imprescindível para o papel. 
    Nina esqueceu de viver a vida de verdade, e preocupou-se muito com a perfeição, que não existe em lugar nenhum. Ela vivia apenas para o balé. Chega um momento da vida que é necessário refleti o que se fez ao longo dela. Representar o Cisne Negro, fez com que Nina repensasse o que foi sua vida "regrada", diria que a palavra correta é contida. Resumidamente posso dizer que só sabemos do que somos capazes, quando o nosso instinto sente necessidades e é posto à prova. 
    Não sabemos quando essa nossa face obscura será escancarada. O que sei é que ninguém é bom demais, nem mal demais. Temos uma dosagem necessária, que nos mascara frente à sociedade. Mas, maquiavelicamente, frios e calculista vivemos nossas vidas fingindo que somos algo, e no fundo não somos nada daquilo que demonstramos ser. Essa "carinha" de menina pudica, que Nina tem, não demonstra o que ela realmente guardava dentro de si. Um Cisne Negro!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Edvard Much, "O grito."

    Vou começar comparando a vida a uma ponte, longa, que nos leva pelo caminho de ida e nos trás pelo de volta, ou vice-versa. Essa é uma metáfora óbvia. Mas, para meu entendimento essa ponte é mais que uma ponte, ela não é uma mera ponte que você vai e volta. 
    Vocês já devem ter lido o poema de meu queridíssimo Carlos Drummond de Andrade, "No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho(...)", pois é, nessa ponte não tinha uma pedra obviamente e nem poderia ter, nem mesmo num plano metafórico. Mas, antes de chegar e depois de ter saindo para uma provável chegada, por entre essa ponte houve percursos tortuosos, curvas sinuosas, resumidamente alguns percalços.
    Atravessar a ponte é  deixar de lado os nossos medos. É por à prova os nossos receios, nossas angústias. E mostrar para nós mesmos que podemos conseguir, mesmo que nos digam que não. Atravessamos diversas pontes diariamente. Uma mais angustiante que a outra. As pontes mais atravessadas são pontes criadas como barreiras sociais, que nos impedem desde tempos atrás de realizarmos nossos sonhos, e que se tornaram nossa herança cultural, e que pelo visto, num tom pessimista e ascético, diria que se perpetuará para vossos filhos (me excluo dessa tarefa árdua e dolorosa). 
    A ponte do preconceito, a ponte do amor, a ponte do egoísmo, a ponte da intolerância, a ponte da dor e da perda, a ponte do fracasso, a ponte da decepção, a ponte da humilhação, dentre muitas outras pontes que atravessam não só as nossas mentes, mas também nossos umbigos.
    Ainda ontem estava revendo um quadro de um pintor, que não me lembro o nome, na verdade nunca lembrei, pois sempre achava que era de Van Gogh, mas sei que não, sempre soube que era de Edvard Much. Mas, por ele ser um "louco,"do bem, sempre atribuí esses tipos de obras à sua criação magnífica. "O grito" é um quadro que expressa muito bem essa ponte e esses medos, fobias sociais. Acredito que inconscientemente a imagem do grito ficou em minha memória, e não era bem isso que tinha planejado escrever, mas devido à sua imagem tão forte de cores e expressões faciais e físicas, devem ter permanecido por anos aqui dentro, sendo aquecidas para nesse momento serem escritas.
   Quem sabe um dia consiga eu atravessar essa ponte com uma segurança inquestionável? E não precise mais segurar-me em seus corrimões, ou agarrar-me em meus medos? Quem sabe eu consiga levar dentro de mim a esperança que nos movimenta como molas propulsoras? Eu preciso atravessar a ponte!
   Sei que vocês devem estar achando que essa história de ponte é viagem da minha cabeça, mas sei que todos, digo todos, sabem muito bem de quais pontes estou a falar. Interpretem da forma que quiserem, é para isso que estou aqui, pra colocar coisas em vossas cabeças. Para quem sabe vocês um dia deixem seus comodismos de lado e atravessem a ponte que vos impedem de pensar diferente e respeitar aos outros!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Minha prisão mental

    Estou presa na pior de todas as carceragem que se pode estar presa: minha mente. Já não sei se ela pede para ir lá fora, se quer comer, se quer falar, se quer beber, se quer fumar ou até mesmo se quer fazer amor. Só sei que ela, nesse momento, quer descanso. O descanso dos fiéis, dos justos, dos que andam pelas veredas certas, sem titubear.   
    Ela quer estar presa em algo, mas a todo momento lhe escapole por entre as veias, gota a gota de seus pensamentos, de seus desejos, de seus anseios, de seu quê sem saber o quê. Lhe escapole a dúvida, a dívida, as desgraças suas e as alheias. Lhe escapole as catástrofes, as fúrias, ódios e rancores. 
    Eu desejo a solidão mental. Que meus pensamentos naveguem em mares dante nunca navegados. Em rios profundos e caudalosos, em uma constelação repleta de alguma coisa, que não sei dizer ainda o que seja essa coisa. Só sei que foi assim, como diria Chicó! Só sei que é assim. Não me venham pedir explicações sobre isso, pois não sei dizer nada que se refira a isso, a esse vazio que está em meu coração nesse momento. 
    Ela apenas quer descansar, ela e eu. Descansar um pouco para poder acordar sã, consciente de tudo e de todos. Elas querem sim, mas não sabem. Não sabem dizer ao certo o que bem querem para o seu bem querer. Querer já é demais, ousadia para quem quer muito e não se contenta com muito pouco. Querem com tanta ânsia.que chega a sufocar essa solidão dentro de si, numa angustia profunda, com gestos agonizantes e atitudes esquisitas.... estranhas...
    Tão estranha essa mente, essa eu, esse querer que me aprisiona em mim mesma, sem poder nos livrar desse medo de não sei bem o quê. Ah, como eu queria ser um grão de areia, uma luz no fim do túnel, um João no pé de feijão. Eu queria apenas sair desse vazio e aprisionar-me em algo mais cheio e luminoso.                 Minha mente tem grades de ferro! Ferro fundido. 
    Às vezes, me pego parada, pensando em nada, olhando por entre as janelas do ônibus, vendo um nada que se arvora em minha face. A espera que desse nada surja o que eu tanto esperava... ou até mesmo um nada...Mas eu tenho certeza que a mente vai mudar e tudo passará a ter sentido.