terça-feira, 18 de maio de 2010

Do que me vale

    Do que me vale um copo de cerveja, que desce amarga na garganta, quando você não está aqui perto de mim para poder me acompanhar nesse gole? Do que me vale um cigarro, mal tragado, se você não pode compartilhá-lo comigo? Do que me vale pensar em você, se um outro alguém está em meu lugar? Do que me vale MPB, se nossas melhores músicas tocam, e um vazio permanece do meu lado, nenhum comentário, nenhum gesto e nenhum sussuro ao pé do ouvido? Do que me vale viver, se, como um sopro, vejo a vida dissipando-se por entre os dedos?

    Do que vale qualquer coisa, se bebo, se fumo, se ouço e se vivo você, sem você?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lembranças

    Revendo minhas fotografias, meus momentos, me pergunto o que terá acontecido com aquele sorriso. Será que ficou congelado naquela imagem, retida naquele momento captado pela lente fria da câmera? Revendo minhas fotografias relembro aquela vida que vivia incondicionalmente, e me pergunto onde ficou perdida, será que morreu?
    Revendo minhas fotografias perdidas, ou estampadas na estante da sala, fazendo-me lembrar daqueles instantes maravilhosos, me pergunto qual a diferença existente entre eu e ela? Entre meu sorriso e minha cara amarrada de hoje? Não sei se sou melhor hoje o quanto fui ontem, se é que ontem fui melhor, ou que um dia a fui.
    Sei que busco uma resposta.Por isso guardei, num lugar bem seguro, todas as fotografias antigas até eu encontrar a verdade sobre mim. Guardei para que ninguém pudesse me julgar, ou comparar-me com aquela pessoa estampada naquela foto, aquela pessoa que creio não ser eu. Às vezes, ousadamente, olho todas as minhas fotografias para ter certeza que não sou eu, realmente não sou eu. Aquele alguém estampado naquelas fotografias é um alguém que criaram pra me confundir, mas eu não cairei nessa cilada. Ainda vou lembrar quem sou, sei que em algum momento fui alguma coisa para você, só não sei o quê.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

    Minha literatura não consegue te descrever. Meus conhecimentos metafóricos, são apenas metafóricos. Minha alegoria, ah, minha alegoria, nada. O que fica é a sensação de suspensão. Sublime, poderia te descrever. Sublimação, é o que sinto, um amor sublime. Parece ser banal, mas é mais banal do que o banal no(do) banal.

    Dói. Mas dói tanto que sinto falta de ar. Sinto tudo, mas não sinto mais vontade. A vontade morreu quando você se foi e nem disse adeus. Não olhou para trás. Não vi nada mais pela frente, só sua sombra dobrando a "esquina". Não adianta mais lamentar tanto, lamentar não vai me levar a te ter novamente. Nem sei se tudo, mas tudo mesmo, voltará a ser como antes. Sei que tudo não é possivel, seria pedir demais, mas sei que o amor que sentimos continua o mesmo.
    Minha pele transpira amor, desejo quando sinto teu cheiro, toco sua pele. Me diz o que é isso que sinto, se não é amor? E me diz o que faço com esse meu sentimento, se você não o quer mais? Lembra-se das promessas que me fez e ainda não cumpriu? Lembra-se do pedido que me fez? Eu cumpro cada palavra do que disse.

Confissão de uma adolescente

    "Todos me viam sorrindo, mas não sabiam a tristeza que eu carregava dentro de mim. Num último suspiro a vida se recontava".

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Preconceito "burrocrático"

    É engraçado. Na verdade, não sei nem quem ou o que é engraçado, se a vida, se sou eu ou se somos nós seres humanos, que de tão racionais, acabamos nos tornando irracionais. Fazemos pré-julgamentos das pessoas, ridicularizamos ou até mesmo as ignoramos. Agora me pergunto porque e para que? Muitas pessoas usam desse artificio para se darem bem na vida, às custas dos outros ou até mesmo nas mazelas dos outros.
    No meu caso, a engraçada sou eu, pois todas as vezes que julguei as pessoas, acabei fazendo julgamentos errados. Por qual motivo as julguei? Simplesmente, pela primeira aparência, pelo primeiro gesto, pelo primeiro olhar ou até mesmo pela primeira atitude "errada" - o que é errado para um pode não ser errado para o outro - em relação ao outro, ou pior, por influência de outros, que é pior ainda. Dar oportunidade a elas, é dar oportunidade à mim mesma de conhecer o mundo, suas particularidades e suas verdades, se é que elas existem, inabaláveis e até mesmo inaceitáveis.
    Essa é a vida tirando sarro de minha cara, pois hoje encontro-me aqui, revendo meus julgamentos e posicionamentos em relação às outras pessoas. Um dia quem julguei, hoje são pessoas extremamentes próximas a mim. Pessoas incomparáveis, geniais, de face tão limpida quanto a minha, de sentimentos tão belos quanto os meus, de vontades tão próprias quanto as minhas, de serem humanas tanto quanto eu, simplesmente de terem uma vida, não importa se "melhor" ou "pior" que a minha, são vidas que merecem ser vividas e aplaudidas. Preconceito nunca mais!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Alguma coisa urgentemente



    Aqui vai mais uma coisa, de não sei quantas que fiz sem perceber. Mas intuitivamente fiz e, deu muito certo.  Sou passageira, não escolhi está aqui. Mas estou. Agora tenho que ser transportada nesse comboio em busca de uma resposta. Concreta. Coerente. Algo que me faça acreditar veementemente em tudo isso.
    Tudo isso que na verdade nem sei o que é. Mas que constante e insolitamente me surge. Sigo o curso desse rio, e na correnteza vou. Vou em busca de uma margem que me sustente. Vou em busca de solo. Vou em busca de algo. Não sei o que procuro. Mas sei que no meio de tudo, me encontrarei. Encontrarei um caminho. Encontrarei um curso certo. Encontrarei uma vida. Quem sabe não seja você?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Por dentro uma personalidade minha


Fico pensando porque ela escreveu isso. Será que é isso mesmo? Será que por dentro é uma personalidade minha, ou melhor, dela? Mas acredito nela, porque sei que ela é uma personalidade incrível. Ninguém a supera em matéria de felicidade. Ela é pra frente, a frente de seu tempo. Será que ela tem tempo? Às vezes, acho que não. O tempo dela segue num relógio que não marca o tempo, na verdade nem sei se posso chamá-lo de relógio. Poderia sim chamar contador de felicidade. Mas parece burocrático. E de burocrático ela não tem nada. Ela não conta o tempo, ela faz questão de perde-lo e nunca achá-lo.

Com ela não tem tempo ruim, não tem chove não molha, e não gosto não. Se não gosta e não aguenta pra que veio? Ela mede, aliás, ela é a desmedida, a desconjuntura em pessoa. Mas é gente fina, passa em qualquer agulha. Você pode ter uma má impressão, mas não tenha não. Ela vai fazer você passar raiva, amá-la e odiá-la num extremo ao outro. Não deixe que ela descubra o seu ponto fraco, pois será uma guerra contra você mesma aguentá-la. Terás que ter muita paciência, deixa, deixa, deixa... Um dia ela cansa, e você acaba chamando-a de "pri", ainda, não concordo mais tudo bem, eu não tenho escolha mesmo.

Compasso

    Depressa sinto o meu coração bater. E no meu último palpitar respiro meu único último suspiro...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Por entre dentes

    Apertei os dentes. Pensei que mordia meus pensamentos. Apertei, apertei... Ficou no ar minhas tentativas. Mastigava pedaço, por pedaço do que achava que mordia. Mordia minha língua. Sangue escorre por entre os cantos de minha boca. Mordia meus desejos e medos. Mordia minha paz que procurava um lugar para descansar desta luta incansável. Degluti pedaço por pedaço do que me restara, do que não mastiguei, do que não devorei em pensamento. Agora ponho pra dentro. Foi só um pensamento.

Farsa

    Entre lágrimas, sangue, muita dor. Você me vem com afeto. Não quero consolo. Não quero pena. Não quero que chore por mim. Não adianta. Você me diz sempre as mesmas coisas. Mas ai dentro sei que não é bem isso que você realmente pensa. Finjo acreditar no que me diz. Mas isso me corrói a cada instante, pois sei que é farsa. Me esforço pra acreditar em cada palavra, mas não dá.
    Como se isso não fosse o bastante me diz coisas absurdas, desacreditadas. Continuo, finjo, disfarço, fecho os olhos, tapo os ouvidos. Tento afastar os medos, mas como não te perder de vista nem por um instante? Me esforço, me dou de graça, não consigo resistir por muito tempo. Como se isso não fosse o bastante, me defendo como posso.